Saiba o que é epilepsia, entenda seu sintomas e aprenda a agir perante as crises

As crises epilépticas são causadas por uma descarga anormal de um grupo de células do córtex cerebral, denominadas neurônios. As crises podem ter as mais variadas causas, como  febre,  traumatismo craniano, alterações metabólicas, uso ou abstinência de álcool e outras drogas. Além disso, as crises epilépticas podem ou não ter manifestação motora (as crises motoras são conhecidas como crises convulsivas), ou seja, nem sempre uma crise epilética é uma crise convulsiva. Algumas manifestações de crise epiléptica são perda de consciência, sensação de formigamento, movimentos anormais, distorções de sentidos (visão, olfato, gustação). O motivo de haver diferentes manifestações é porque a atividade anormal dos neurônios pode ocorrer em diversas regiões do cérebro, cada qual gerando uma sintomatologia específica.

É importante salientar que apresentar uma crise epiléptica isolada não significa necessariamente ter epilepsia, pois como já mencionado, as crises podem ser causadas por diversos fatores. Considera-se que um indivíduo apresente epilepsia quando este apresenta crises recorrentes ao longo da vida, sendo que estas crises ocorrem espontaneamente, ou seja, sem um fator causal associado, como os mencionados acima. Como proposto pela Liga Internacional Contra a Epilepsia em 2005, a epilepsia é definida como uma doença cerebral caracterizada por uma predisposição duradoura de gerar crises epilépticas (recorrentes) e pelas conseqüências neurobiológicas, cognitivas, psicológicas e sociais decorrentes desta condição.

O Diagnóstico

O diagnóstico de epilepsia é feito através da história clínica, em que as características das crises devem ser relatadas ao médico, que poderá então fazer o diagnóstico e caracterizar o tipo de epilepsia. O exame mais comum para avaliação de epilepsia é o eletroencefalograma (EEG), havendo também a possibilidade de serem realizados outros exames, como TC de crânio, a depender da avaliação médica. O tratamento da epilepsia é  individualizado para cada paciente. Atualmente no mercado há diversas medicações para epilepsia, cada uma mais adequada para cada forma de apresentação das crises.

Desmistificando mitos

Sempre que se fala sobre epilepsia, é importante ressaltar e desmitificar algumas questões: a epilepsia não é contagiosa, não é hereditária e nem é causada por problemas espirituais. Além disso, a epilepsia não é doença mental, e sim uma doença neurológica, e as medicações para tratamento da epilepsia não são as mesmas usadas em pacientes com doenças psiquiátricas, ou seja é uma afecção cujo tratamento e seguimento devem ser realizados por um médico neurologista.

Como agir perante as crises

Estima-se que na população brasileira haja uma prevalência de 5 casos por 1000 indivíduos e a incidência seja de 50 casos novos por ano para uma população de 100.000 indivíduos. A maior parte dos pacientes consegue um bom controle das crises,  muitas vezes permanecendo por anos assintomática.

Durante as crises, deve-se manter a calma, proteger o indivíduo que esteja em crise, deixando-o de lado e protegendo a cabeça contra traumas. Não se deve puxar a língua ou tentar restringir  os movimentos, também não se deve oferecer nada para beber ou comer. A crise geralmente cede de forma espontânea após segundos ou minutos, e o indivíduo pode apresentar um período de confusão mental logo após as crises.

Convivendo com a epilepsia

O indivíduo com epilepsia pode ter uma vida normal, devendo ser encorajado a participar das atividades escolares e posteriormente, podendo trabalhar em grande parte das ocupações. Além disso, como regra geral, a prática de esporte não é contra-indicada aos pacientes epilépticos. Esta inclusão social dos pacientes é muito importante, evitando assim o isolamento e o preconceito que muitas vezes sofrem estes pacientes.

 

AUTOR:

Dr. André Cúrcio, médico do PAI ZN, organização social de saúde administrada pela Associação Congregação de Santa Catarina.

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