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Quaresma – É tempo de reconciliação

Vivemos, desde a última quarta-feira de Cinzas, um período litúrgico de grande importância para todos nós que professamos a fé católica: a QUARESMA. Durante nossa preparação para a Páscoa do Senhor, somos convidados a intensificar a vida de oração, penitência e caridade. É tempo de reflexão e de reconciliação. E o primeiro passo para o encontro profundo consigo mesmo e com Deus é o reconhecimento de nossas misérias e fraquezas. Afinal, “o pecado é o maior obstáculo para o amor”. Que nesta Quaresma tenhamos a coragem de fazer uma passagem profunda de purificação do pecado para a graça!

De acordo com o padre José Leles da Silva, que integra o corpo docente do CSC, a Quaresma são os quarenta dias entre a quarta-feira de cinzas e a quinta-feira santa de manhã, sem contar os domingos. “A Quaresma faz referência aos quarenta anos que o povo de Israel levou para atravessar o deserto, entre a saída do Egito e a entrada na terra da promessa. Também nos remete aos quarenta dias que Jesus passou no deserto, entre o seu batismo e o início da vida pública”, explica o sacerdote, lembrando a passagem do Evangelho segundo São Mateus, capítulo quarto, versículos de um a onze.

Fazendo uma comparação com a nossa realidade atual, padre Leles ressalta que “deserto” não é, necessariamente, um espaço geográfico, mas sim um espaço vital espiritual onde valendo-nos da liberdade, fazemos as nossas opções. “No deserto se encontram Deus, o diabo (aquele que divide) e eu. Portanto, é o tempo de de-cisão”, destaca. “Fazer cisão, romper com o maligno e voltar-se inteiramente para o Deus de Jesus”.

Durante a Quaresma, os cristãos são convidados a intensificar o jejum, uma prática que remonta à experiência bíblica. Padre Leles explica que “o jejum livremente assumido nos ajuda a administrar os nossos desejos. Não somos irracionais que agem por instinto. Jejuar me ensina a administrar as minhas vontades e a ser senhor e não escravo das coisas, inclusive do alimento. Alguém disse que nós somos aquilo que comemos. O tempo da Quaresma e a observância do jejum é uma ótima oportunidade para selecionarmos aquilo que ingerimos, em vista de uma vida plena”.

Ao longo do período quaresmal, o roxo é a cor litúrgica usada no altar e também nas vestimentas dos sacerdotes. E tudo tem um significado. “A cor roxa nos recorda o tempo de penitência. Penitência são gestos e atitudes que mostram que estou dando passos no caminho novo. A quaresma nos convida à conversão, isto é, à mudança de caminho. Deixar os atalhos que conduzem a lugar nenhum e às vezes à morte, para tomar o caminho proposto por Jesus que nos leva ao encontro com o outro e com Deus”, avalia padre Leles.

A Igreja Católica prega que os cristãos se confessem pelo menos uma vez no ano, preferencialmente, na preparação para a Páscoa do senhor. Mas padre Leles adverte que é preciso mais que isso. “Mais que confessar, eu diria que os fiéis precisam de celebrar uma verdadeira reconciliação com as pessoas e com Deus Pai. Não basta confessar o pecado. É preciso extirpá-lo da nossa vida. Pecado é ruptura, é coisa daquele que divide, o diabo. Já o Amor, isto é, o Espírito Santo de Deus, une, integra. Por isso, o conselho que sempre dou é o mesmo de Jesus: ‘Orai e vigiai’”, ressalta.

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