1 de dezembro: Dia Mundial de Luta Contra a AIDS

O Dia Mundial de Luta Contra a AIDS – 1º de Dezembro –  foi instituído em outubro de 1987 durante uma Assembléia Mundial de Saúde com o apoio da Organização das Nações Unidas (ONU). No Brasil a data só passou a ser comemorada a partir de 1988. O dia tem por objetivo dar visibilidade ao combate à epidemia, despertar na sociedade a real necessidade da prevenção, ampliar o esclarecimento sobre a síndrome e reforçar a solidariedade às pessoas vivendo com HIV/AIDS. A cada ano diferentes temas são abordados destacando importantes questões relacionadas à doença, esse ano a campanha dará enfoque aos jovens gays de 15 a 24 anos. A data é também marcada mundialmente por manifestações realizadas pelo Movimento Social de Luta Contra a AIDS, formado por Organizações da Sociedade Civil que atuam em algum seguimento do enfrentamento a epidemia da AIDS.

O enfrentamento a epidemia da AIDS no Brasil tem sido uma tarefa de vários setores: Ministério da Saúde, Organizações da Sociedade Civil, Movimentos Sociais de Pessoas Vivendo com HIV/AIDS e Religiões. Todos na luta por avanços no tratamento e controle da epidemia. Apesar de termos um modelo de tratamento considerado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) como referência no mundo, nesses 30 anos de epidemia, a resposta brasileira à AIDS não está pronta, ela precisa ser aperfeiçoada a cada dia, com o desafio de qualificar a rede de atendimento para responder às necessidades e exigências das DSTs e AIDS, proporcionando um atendimento mais humanizado aos usuários do serviço. Ainda há muito a ser feito, nossos usuários sofrem por falta de leitos hospitalares, esperam até noventa dias para terem a 1ª consulta depois de se descobrirem soropositivos, faltam medicações para as doenças oportunistas, rejeição no ambiente de trabalho, na família e da própria sociedade na qual vivemos. Ainda temos problemas de acesso ao tratamento porque muitas pessoas não têm condições de pegar o medicamento, comparecer às consultas e/ou exames, pela distância, por não possuírem recurso para deslocamento até a unidade de saúde na qual são atendidas. Existem também casos em que as condições de alimentação e moradia interferem no tratamento. Portanto, além do aspecto clínico também é necessário dar atenção às questões sociais para se obter avanços no enfrentamento da AIDS. Sabemos que estudos referentes ao uso dos antiretrovirais (o Brasil possui uma cobertura de 94,8%) indicam aumento na estimativa de vida, mas também aumenta o número de pessoas com sequelas físicas, por causa dos efeitos adversos ou por causa das infecções oportunistas.

A responsabilidade para superar as fragilidades e desafios nos vários âmbitos da sociedade é de todos nós. Por isso é importante investir na prevenção, é necessário nos envolvermos na busca de soluções para os problemas que se apresentam. Temos que vencer as barreiras do preconceito e da discriminação, talvez esse seja nosso maior desafio porque “viver com HIV é possível, com o preconceito não”. Isso significa que é necessário construir mudanças também de ordem cultural.

O Centro de Convivência Madre Regina é uma entidade filantrópica gerida pela Associação Congregação de Santa Catarina situada na região norte da cidade de Fortaleza – Ceará que acolhe atualmente 37 pessoas vivendo com HIV/AIDS, provenientes de todo o Estado do Ceará como também de outros estados, oferecendo serviços de assistência social, terapia ocupacional, pedagógica, nutricional e espiritual. A instituição atende diariamente de segunda a sexta-feira em período integral (das 07h às 17h). Esta opção de atendimento deve-se em decorrência do conhecimento da situação social, financeira, cultural e familiar, onde detectamos a condição de vulnerabilidade e de suas tentativas de reestruturação de vida. O Centro de Convivência realiza um trabalho inovador no Estado do Ceará. A equipe de colaboradores junto às irmãs atua ministrando oficinas terapêuticas, trabalhos de grupo, atendimento individual, atividades manuais, cursos de capacitação, oficinas de espiritualidade, oficinas temáticas, oficinas de relaxamento, exercícios físicos, curso de informática, momentos de lazer e outras atividades que visam favorecer um crescimento pessoal e uma convivência saudável, visando uma melhor qualidade de vida para todos os beneficiados pela a casa. Não podemos deixar de ressaltar que a nossa instituição tem grande credibilidade no Estado e estabelece boas parcerias tanto com Organizações Governamentais como Não Governamentais e atualmente faz parte da coordenação colegiada do Fórum do Movimento Social de Luta Contra a AIDS do Ceará, estando assim sempre presente em todos os eventos e mobilizações realizadas com a preocupação de manter-se atualizada na esfera de debate sobre HIV e suas implicações. Portanto abraçamos essa causa acreditando que ¨A VIDA É MAIS FORTE QUE A AIDS¨.

 

AUTORA:
Jacqueline Sampaio, do Centro de Convivência Madre Regina, entidade filantrópica gerida pela Associação Congregação de Santa Catarina.

 

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